quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A história de Antonio*

Meu nome é Antonio* e eu vou contar alguns pedaços da minha vida que passei por causa do alcoolismo.
Tudo começou na cidade onde morávamos eu e a minha família. Sempre gostei de tomar uma cervejinha e uma dose de pinga antes das refeições para abrir o apetite. Nessa época abri um barzinho, tipo uma lanchonete onde eu vendia salgados, doces, balas e também a maldita da bebida alcoólica e como eu estava no meio das bebidas eu fui aprendendo a beber todos os dias e cada vez aumentando.
Com as vendas do comércio do bar eu comprei de sócio com um sobrinho um rancho, onde eu e a minha família íamos nos finais de semana para nos divertir, mas lá eu começava a beber cerveja, algumas doses de pinga e atormentava todas as pessoas que lá estavam, com atitudes estúpidas, palavras que magoavam as pessoas. Eu me tornava uma pessoa insuportável e achava sempre que tinha razão.
Com o falecimento da minha sogra, minha esposa achou melhor vir morar aqui em Indaiatuba, para cuidar de seu pai e achando que talvez se eu viesse para outra cidade teria outra expectativa de vida e parasse com a bebida.
Mas foi totalmente o contrario, foram surgindo vários problemas e eu não consegui viver com eles então comecei a beber cada vez mais e todos os dias, e com isso o relacionamento com os familiares e a esposa ia ficando cada vez pior. Morávamos com meu sogro no total mais ou menos umas 10 pessoas e eu não conseguia aceitar, então eu bebia e começava a ofende-las, aí surgiam as brigas, as discussões e até mesmo as agressões. Nesse período eu trabalhava mas chegou um momento que aos 45 anos eu achava que não precisava mais trabalhar, mas era só desculpa para ficar o dia todo bebendo, eu já estava sendo controlado pelo vicio, pelo álcool.
Ninguém me suportava mais, principalmente a minha filha mais velha, então decidi voltar para a cidade onde morava. Como minha mulher e meus filhos não vieram comigo, fui morar com uma irmã minha, eu não suportava a separação deles, aí que eu bebia mais e mais, não comia e fui cada vez piorando mais, chegando ao ponto de querer morrer de tanto beber.
Minha própria irmã não aumentando mais, pediu para que eu saísse da casa dela.
Voltei para Indaiatuba e fui morar com meu filho que estava construindo sua casa, como sou pedreiro, fui ajudando ele com a construção, mas a bebida não me deixava trabalhar direito e eu queria dinheiro para ajudar na construção, na verdade era dinheiro para sustentar meu vicio e assim eu brigava, xingava e reclamava para o meu filho até que ele dava o dinheiro, aí eu comprava litros de pinga e escondia para ficar bebendo todos os dias.
Minha filha veio morar com a gente, mas ela não tinha paciência, e foram muitas brigas e discussões, chegando até filha e pai se agredirem com faca dentro de casa.
Como eu não fazia nada o dia inteiro, só bebia, eu estragava as comidas, deixava fogo aceso, colocava fogo nas vasilhas, deixava tudo sujo, até que um dia quase coloquei fogo na casa, deixei os botões do fogão ligados e quando voltei a acender, pegou fogo no fogão, na parede, me queimei, foi um susto muito grande,só não aconteceu o pior por que Deus não quis. Eu já não dormia mais passava as noites bebendo, não tomava mais banho, não comia, só bebia. Comecei a ter alucinações e fraqueza.
Foi quando fui para o hospital, sem forças nem para andar, fiquei internado vários dias, eu não reconhecia nem meus próprios filhos, estava com uma crise de abstinência, nesse período que assumi que eu estava doente, alcoólatra.
Indicaram-me o CAPS-AD, fui atendido e de lá fui para uma internação em uma clínica para fazer o tratamento.
Saindo da clinica continuei o tratamento no CAPS-AD com a ajuada de vários profissionais.
Um deles foi a Cidinha, que hoje já não trabalha mais lá, ela me deu muitos conselhos e muito apoio, agradeço muito a ela e ao CAPS-AD, por esse trabalho muito bonito que vocês fazem.
Hoje estou controlado, mas tomo meus remédios que são receitados pelos psiquiatras do CAPS-AD.
De tudo que passei a pior perca na minha vida foi a da minha esposa porque estamos separados, o vicio nos separou. Moro com meu filho e minha nora que está grávida, vou ser avô.
Tenho uma relação até boa com minha filha, converso com minha ex-mulher.
Talvez eu possa me considerar um homem feliz, por conseguir vencer um dia após o outro sem o vício e que Deus me abençoe e me de forças para continuar esta batalha.
Obrigado CAPS-AD por tudo.

(Antonio* é paciente do CAPS-AD Indaiatuba)
* nome fictício

Participação do CAPS – AD no Torneio SER em 2 de outubro na Escola Preparatória de Cadetes do Exército.

















O Torneio SER trata-se de em evento realizado na Região de Campinas destinado à Portadores de Necessidades Especiais em Saúde Mental.
Várias entidades que trabalham com este seguimento em todo o Estado de São Paulo se reuniram neste dia, inclusive os CAPS.
Quatro modalidades foram desenvolvidas no evento: futebol de salão, basquete adaptado, natação adaptada e atletismo, onde o foco principal não era a competição e sim a participação.
O principal objetivo do encontro foi promover a inclusão social e melhorar a auto-estima dos participantes.
Houve também outras atividades desenvolvidas durante o dia, sempre acompanhadas pela equipe técnica, professores e estagiários.
Os 12 clientes do CAPS – AD marcaram presença no evento, acompanhados pelo Enfermeiro Alex e o Psicólogo Renato, e avaliaram positivamente:
“Legal, importante, representa uma olimpíada”.
“Uma experiência única, uma lição de vida, uma forma de superação”.
“Uma grande família, onde o importante não foi a competição e sim a participação em comum”.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

UMA HISTÓRIA DE VIDA

Tenho 48 anos de idade. Desde criança sempre fui muito ansioso, nasci numa família muito religiosa, creio muito em Deus.
Freqüentei muitos bailes gostava muito de festas. Com os amigos e amigas de clube comecei a fumar escondido de meus pais, “cigarro normal”, nunca usei drogas, nem mesmo experimentei. Passei também a beber pela influencia dos amigos da minha adolescência, mas nunca fui um viciado, nem da bebida nem do cigarro.
Aos 23 anos me casei e passei a seguir rigosamente à igreja.
Tive uma grande transformação na minha vida. Convivi com essa mulher por 3 anos e meio, mais ou menos.
Nos primeiros meses tudo maravilha...
Um ano depois não nos entendíamos mais, porém tivemos um filho.
Brigávamos muito, nos desquitamos e divorciamos.
Passei a morar só, com esta perda entrei em uma grande "DEPRESSÃO".
No momento não sabia o que era depressão, apenas ouvia falar, mas nunca havia sentido na pele o que era.
Comecei a beber apenas para afastar as minhas mágoas, quando me dei conta bebia todos os dias, virei um alcoólatra. Tentei muitas vezes me suicidar. Muitas vezes encostava uma faca em meu peito mas graças a Deus no momento Deus nunca permitiu que isso acontecesse. Ficava em cima dos viadutos, para pular la de cima, na beira das estradas pensando em pular debaixo de um carro ou caminhão, dormi muitas vezes muito embriagado com facas debaixo do travesseiro pensando que embriagado e dormindo teria coragem de me suicidar mas graças a Deus não permitiu, sempre em profunda depressão, até que um dia peguei um revolver o engatilhei e apontei para minha cabeça e pensei: agora é o fim. Nesse momento sob minha cabeça senti uma paz tão grande da cabeça aos pés uma paz e alegria indescritível, abaixei o revolver e nunca mais pensei em suicídio, porque Deus estava comigo.
Contando isso para um irmão da igreja ele me confirmou: QUE SE NAQUELE MOMENTO DEUS NÃO ESTIVESSE COMIGO ELE PERMITIRIA QUE O INIMICO VISSE AQUELA CENA E APERTASSE O GATILHO, DESDE ENTÃO NUNCA MAIS PENSEI EM SUICÍDIO.
Deus deu a sabedoria aos homens: a sabedoria da ciência e da medicina.
Meus familiares viam que os anos passavam e eu sempre numa situação difícil.
Com a iluminação de Deus, me levaram para o CAPS-AD onde tive MUITA ATENÇÃO E COMPREENSÃO DESSES PROFISSIONAIS QUE ME TRATARAM SEM DESCRIMINAÇÃO POR TER SIDO ALCOÓLATRA E COM PROFUNDA DEPRESSÃO.
Comecei um tratamento com muitas palestras com psicólogas, psiquiatras e enfermeiros treinados e capacitados.
Dando-me muita atenção e fazendo-me entender que a depressão tem cura e que é possível se livrar do álcool e das drogas que destroem nossas vidas, digo por experiência própria que estou curado levando uma vida normal.
Desejo que Deus ilumine sempre esses profissionais que com muita paciência e dedicação nos faz entender que a depressão, a bebida e as drogas tem cura. PARA MIM PRIMEIRAMENTE AGRADEÇO A DEUS E QUE ELE ILUNINE SEMPRE ESSES PROFISSIONAIS DO CAPS-AD PARA TODO O SEMPRE, AMÉM.


(Historia da vida de JONAS*, paciente do CAPS-AD INDAIATUBA)

* nome fictício